Um violento ataque armado contra um posto da Polícia Nacional do Paraguai deixou dois policiais e um funcionário civil mortos, no departamento de Canindeyú, região que faz fronteira com os estados brasileiros do Paraná e Mato Grosso do Sul.
A ação ocorreu no Posto Policial nº 4 da colônia Naranjito, a cerca de 130 quilômetros de Guaíra.
Segundo as autoridades, entre 20 e 30 homens fortemente armados invadiram a unidade policial.
Vestindo roupas camufladas e utilizando armamento de grosso calibre, os criminosos abriram fogo contra os policiais que estavam de serviço e, na sequência, incendiaram completamente o posto policial, além de uma viatura e veículos particulares estacionados no local.
As vítimas fatais foram identificadas como os suboficiais Atilio Martínez Barrios, de 40 anos, e Herminio Ojeda González, de 32 anos, além do funcionário civil Josemar Escobar Piris, de 38 anos, que prestava serviços na unidade policial.
Outro policial também foi baleado durante o ataque.
Inicialmente levado ao Hospital de Curuguaty, ele foi transferido para o Hospital da Polícia Rigoberto Caballero, em Assunção.
Conforme a direção da unidade, o policial está consciente, em estado estável e segue sendo submetido a exames para avaliar a extensão dos ferimentos.
Um dos detalhes que mais chamou a atenção dos investigadores foi o relato do policial sobrevivente.
Ele foi atingido por dois disparos enquanto descansava dentro da viatura aguardando o início do turno e para escapar da execução, fingiu estar morto.
Mesmo após os criminosos lançarem uma bomba incendiária contra a viatura, o policial conseguiu sair pelo lado do passageiro quando as chamas começaram a se espalhar e fugiu para uma área de mata, sendo posteriormente resgatado e encaminhado ao hospital.
O comandante da Polícia Nacional do Paraguai, comissário César Silguero, afirmou que todas as características apontam para uma ação de uma organização criminosa altamente estruturada.
Segundo ele, o ataque foi rápido, coordenado e executado por um grupo numeroso, que utilizou armamento pesado e destruiu completamente a estrutura policial, indicando uma clara demonstração de força contra o Estado.
Um posto de comando unificado foi instalado na região para coordenar as investigações.
Durante a perícia, foram encontradas cápsulas de fuzis calibres 5,56 mm, 7,62 mm, além de munições de espingarda, confirmando o poder de fogo empregado pelos criminosos.
Apesar da região de Canindeyú ser conhecida pela atuação de organizações ligadas ao narcotráfico, contrabando e outros crimes transnacionais, as autoridades paraguaias afirmam que ainda não é possível atribuir o atentado a um grupo específico.
O Comando de Operações de Defesa Interna informou que todas as linhas de investigação permanecem abertas, inclusive a possibilidade de participação de facções criminosas que atuam na faixa de fronteira. Até o momento, não há confirmação de envolvimento do grupo guerrilheiro Exército do Povo Paraguaio.
O atentado é considerado um dos mais graves registrados nos últimos anos contra forças de segurança no Paraguai e reforça a preocupação das autoridades com o avanço de organizações criminosas na região de fronteira com o Brasil.
Rádio Educadora com inf. La Nácion